Em resumo: a 5 de fevereiro de 2020, um pai do estado da Virgínia (EUA) recebeu pelo correio um urso de peluche da Build-A-Bear com a gravação dos batimentos do coração do filho, que morreu aos 16 anos num acidente de viação em janeiro de 2019. Quem o enviou foi o homem de 69 anos, do Massachusetts, que recebeu esse coração num transplante.
Foi a mãe do rapaz quem publicou o vídeo no Facebook, em fevereiro de 2020: o marido a abrir a caixa. Em poucos dias teve mais de 100 mil visualizações e acabou nas televisões norte-americanas.
O acidente e a doação dos órgãos
O rapaz tinha 16 anos. Teve um acidente com vários veículos no condado de Dinwiddie, na Virgínia, e morreu a 25 de janeiro de 2019, dias depois de ser declarada a morte cerebral. Os pais autorizaram a doação dos órgãos. O coração foi para um homem com cardiomiopatia, as córneas devolveram a visão a outro doente e o rim e o pâncreas foram para um terceiro recetor.
Como o coração foi parar ao peluche
Cerca de um ano depois do transplante, numa consulta de rotina, o recetor pediu para gravar os batimentos do novo coração. Levou a gravação a uma loja Build-A-Bear, onde a meteram dentro de um urso, e vestiu-o com uma camisola a dizer “Best Dad Ever” (“O melhor pai de sempre”). Mandou-o à família com uma carta: “Preferia ter-vos entregado isto pessoalmente, mas não sei quando é que isso poderia acontecer.”
No vídeo, o pai encosta o ouvido ao peluche e chora. “Quando ele estava no hospital, todas as noites encostava a cabeça ao peito dele para ouvir o coração, até à última noite”, contou à ABC. “Fiquei com o coração cheio de alegria por ele me ter devolvido um pedaço do meu filho.”
Não há muito a acrescentar a isto. Um gesto simples, de alguém que sabia exatamente a quem devia a vida.
Há outro caso parecido: a mãe que ouviu o coração do filho falecido no peito de outro homem.
O vídeo
É a reportagem do Good Morning America, da televisão norte-americana ABC, emitida em fevereiro de 2020, com as imagens do pai a ouvir o peluche.
O encontro, meses depois
As duas famílias conheceram-se em agosto de 2020, no aeroporto internacional de Richmond. “Há duas coisas que nunca se esquecem: o primeiro batimento do coração, antes de ele nascer, e o último”, disse o pai. O recetor pôs as coisas assim: “Infelizmente, ele perdeu um filho, mas eu recuperei a minha vida. Nunca pensei que fosse conseguir.” Prometeram ficar amigos para a vida.
Perguntas frequentes
Quem enviou o peluche com os batimentos cardíacos?
O homem que recebeu o coração do rapaz num transplante. Tinha 69 anos, vivia em South Hadley, no Massachusetts, e sofria de cardiomiopatia.
Quando aconteceu?
O rapaz morreu em janeiro de 2019, o peluche chegou à família a 5 de fevereiro de 2020 e as famílias encontraram-se pela primeira vez em agosto de 2020.
Vê também: noiva levada ao altar pelo homem que recebeu o coração do pai, o pai que pedalou 2 mil quilómetros para ouvir o coração da filha, mãe de 87 anos com Alzheimer reconhece a filha e o apelo da mãe de um jovem de 16 anos vítima de bullying.