Em resumo: em 2010, correu o mundo um vídeo de um menino de 2 anos a fumar numa aldeia de Samatra, na Indonésia. A imprensa falava em cerca de 40 cigarros por dia. Nesse verão fez um mês de terapia em Jacarta e deixou o tabaco. Em 2017, aos 9 anos, estava saudável e era bom aluno.
Como é que uma criança de 2 anos chega ao tabaco
O menino vivia numa aldeia de pescadores da província de Samatra do Sul. O pai deu-lhe o primeiro cigarro por volta dos 18 meses. Seis meses depois fumava perto de dois maços por dia, e quando não lhe davam mais tinha birras violentas.
A Comissão Nacional de Proteção da Criança da Indonésia explicou o contexto. Os pais trabalhavam muitas horas num mercado de rua, não conheciam os perigos do tabaco e usavam os cigarros para o manter sossegado. Na aldeia, quase todos os homens fumavam.
Não escrevo isto para apontar o dedo a uma família pobre. Escrevo porque o caso mostra até onde o tabaco chega quando ninguém à volta vê o problema.
Um mês de terapia e um desvio pelo caminho
Em julho de 2010, depois de as imagens se espalharem, o menino foi com a mãe para Jacarta. Durante um mês fez terapia psicossocial. Os terapeutas mantinham-no ocupado com jogos e desenhos e punham-no a brincar com crianças da idade dele. O Governo ajudou a família com dinheiro. No fim, já não pedia cigarros.
A recuperação não foi a direito. Sem tabaco, passou a exigir comida doce e gorda com a mesma insistência e chegou aos 24 quilos aos 5 anos. Uma nutricionista mudou-lhe a dieta para peixe fresco, fruta e legumes.
Em 2017, com 9 anos, tinha o peso certo, estava livre das dependências e era dos melhores alunos da escola primária. É esta a parte da história que interessa.
O que a nicotina faz a uma criança
O caso foi extremo, mas não foi único. No inquérito da OMS aos jovens de 2019, 38,3% dos rapazes indonésios entre os 13 e os 15 anos fumavam cigarros.
O cérebro continua a formar-se até por volta dos 25 anos. O CDC, a agência de saúde pública dos Estados Unidos, avisa que a nicotina pode prejudicar as zonas que controlam a atenção, a aprendizagem, o humor e os impulsos. Nos mais novos, a dependência instala-se depressa, às vezes antes de o consumo ser diário.
E há o fumo passivo. Segundo a OMS, mata todos os anos mais de 1,6 milhões de pessoas que não fumam.
Se fumas, o conselho é simples: longe dos miúdos. Nem em casa, nem no carro.