Em resumo: Em agosto de 2019, o dono de um restaurante em Porto Palermo, na Albânia, saltou para o capô do carro de uma família espanhola e partiu o para-brisas ao murro. Foi detido. Seis dias depois, as autoridades começaram a demolir o restaurante, que funcionava há anos sem licença.
Tudo começou por causa de dois pratos. A família do empresário espanhol Eugenio Galdón, fundador da operadora ONO, estava a almoçar no restaurante Panorma, em Porto Palermo, perto de Himarë, na costa sul da Albânia. Tinham pedido sete pratos e cancelaram dois.
O dono não gostou.
Quando a família já estava no carro, com um guia e um motorista albaneses, o homem correu atrás deles, atirou-se para cima do capô e começou a esmurrar o vidro da frente até o partir. Com as mãos a sangrar, ficou lá em cima cerca de dez minutos, com o carro em andamento e toda a gente aos gritos. A família filmou tudo.
O vídeo do ataque e da demolição
A reportagem da agência EFE, de 21 de agosto de 2019, junta as imagens gravadas pela família, distribuídas pela polícia albanesa, e o início da demolição do restaurante.
O que aconteceu depois
O dono, de 51 anos, foi detido e ficou em prisão preventiva, acusado de intimidação, dano intencional e destruição de propriedade.
E depois veio a parte que ninguém esperava. Com o caso em todas as televisões, a Agência Nacional de Proteção do Território (IKMT) foi ver os papéis do restaurante. Não havia papéis. O Panorma funcionava sem licença e ainda cobrava pelas espreguiçadeiras numa praia que não podia explorar. Segundo o elDiario.es, já em 2012 tinha havido uma tentativa de o deitar abaixo, que falhou.
A 21 de agosto de 2019, com muita polícia no local, as máquinas entraram e o restaurante foi demolido.
Justiça ou espetáculo?
Eu fico dividido. O ataque foi assustador e a detenção faz todo o sentido. Mas um restaurante ilegal que só é demolido quando o vídeo se torna viral diz muito sobre quem devia ter fiscalizado antes. Se não fosse o para-brisas partido, o Panorma provavelmente ainda lá estava.
E tu, achas que a demolição foi justiça ou só uma resposta para as câmaras?