Titanic em 4K: as imagens que mostram o navio a desfazer-se

Titanic em 4K: as imagens que mostram o navio a desfazer-se

Em resumo: em agosto de 2019, a primeira descida tripulada ao Titanic em 14 anos filmou os destroços em 4K, a cerca de 3800 metros de profundidade. As imagens mostram a zona dos aposentos do capitão a ruir. A famosa banheira do capitão já não existe.

Quem foi lá abaixo

A expedição foi no início de agosto de 2019. Desceram o explorador norte-americano Victor Vescovo, o chefe de expedição Rob McCallum e o historiador Parks Stephenson, que conhece o Titanic como poucos. Foram no submersível DSV Limiting Factor, da Triton Submarines, e fizeram cinco descidas em oito dias.

Um representante da NOAA, a agência oceânica dos Estados Unidos, acompanhou os trabalhos, como manda a lei americana que protege o local.

O navio está a cerca de 600 quilómetros a sul da Terra Nova, no Canadá. Bateu num icebergue por volta das 23h40 de 14 de abril de 1912, na viagem inaugural. Às 2h20 da madrugada seguinte já estava no fundo. Morreram cerca de 1500 pessoas.

A banheira do capitão já lá não está

O que mais chocou a equipa foi o lado de estibordo dos alojamentos dos oficiais, onde ficavam os aposentos do capitão. O casco está a ceder ali e arrasta os camarotes com ele.

Parks Stephenson lembrou que a banheira do capitão era uma das imagens preferidas de quem segue a história do navio. Desapareceu.

A culpa é do sal, das correntes do fundo e de bactérias que comem ferro. Essas bactérias formam as “rustículas”, estalactites de ferrugem tão frágeis que se desfazem ao mínimo toque. A microbióloga Lori Johnston foi clara: é um processo natural e vai continuar.

Estas são as imagens da expedição de 2019:

O que aconteceu depois

A equipa usou fotogrametria para montar modelos 3D do navio, que servem para comparar o estado dos destroços ao longo do tempo. Em maio de 2023, a empresa Magellan e a Atlantic Productions mostraram o primeiro modelo digital completo do Titanic em tamanho real. Foi feito com mais de 700 mil imagens tiradas por dois robôs submarinos no verão de 2022.

Um mês depois, em junho de 2023, o submersível Titan, da OceanGate, implodiu a caminho dos destroços. Morreram as cinco pessoas a bordo. Em agosto de 2025, a Guarda Costeira dos Estados Unidos concluiu que a tragédia podia ter sido evitada.

Para mim, estas imagens valem pelo que são: um registo do navio enquanto ainda há navio para filmar. O mar vai ficar com ele, e não há volta a dar.

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