Trotinetes partilhadas: porque é que o negócio não dava lucro

Em resumo: Em 2019, o The Verge avisou que as trotinetes elétricas partilhadas não cobriam os próprios custos. Anos depois, a Bird pediu proteção contra credores (dezembro de 2023) e a Lime, a maior do setor, ainda registou 59,3 milhões de dólares de prejuízo em 2025.

Este artigo foi publicado em abril de 2019, no auge da febre das trotinetes partilhadas. Na altura, o site norte-americano The Verge publicou um vídeo a explicar porque é que as contas não batiam certo. Vale a pena revê-lo com o que aconteceu desde então.

O argumento de 2019

Os investidores de capital de risco tinham posto mais de mil milhões de dólares nestas empresas, mas cada trotinete não gerava receita suficiente para pagar o que custava. O problema principal era a duração: os primeiros modelos eram trotinetes de uso pessoal adaptadas, pouco preparadas para o uso intensivo na rua.

Os dados abertos da cidade de Louisville, nos EUA, analisados na altura pela jornalista Alison Griswold, apontavam para uma vida média de cerca de 28 dias por trotinete. Com cerca de 2,32 dólares de receita líquida diária, cada uma rendia 65 a 75 dólares antes de ir para a sucata, bem abaixo do custo de compra.

O vídeo acima é do The Verge, publicado a 12 de abril de 2019 (em inglês).

O que aconteceu depois

A previsão confirmou-se em parte. A Bird, que chegou a valer 2,5 mil milhões de dólares, entrou em bolsa em 2021, foi retirada da Bolsa de Nova Iorque em setembro de 2023 e pediu proteção contra credores a 20 de dezembro de 2023, segundo a CBS News. Pelo caminho, cidades como Paris proibiram o aluguer de trotinetes.

A Lime resistiu melhor. Anunciou o primeiro ano com resultados positivos em 2022, mas só em termos ajustados. No pedido de entrada em bolsa entregue em maio de 2026, a empresa declarou 886,7 milhões de dólares de receitas em 2025 e um prejuízo de 59,3 milhões, e avisou os investidores de que pode não conseguir chegar ao lucro.

Ou seja: as trotinetes não desapareceram, mas o modelo de negócio continua a ser posto à prova sete anos depois.