Pitbull Zico: a petição contra o abate e o que aconteceu depois

Em resumo: a 6 de janeiro de 2013, em Beja, o Zico, um cão cruzado de pitbull, matou um bebé com cerca de ano e meio. A ordem de abate levou mais de 60 mil pessoas a assinar uma petição. O cão foi entregue à associação Animal e passou a chamar-se Mandela. Em 2016, os pais e a avó foram absolvidos.

O que aconteceu em Beja

Foi ao fim da tarde de 6 de janeiro de 2013, em casa dos avós da criança, num bairro na periferia de Beja. O cão tinha nove anos e era de um tio que vivia na mesma casa. O bebé foi levado para o hospital e morreu com lesões graves na cabeça.

Nos dias seguintes, a veterinária municipal de Beja decidiu abater o animal. O Ministério Público abriu um inquérito e suspendeu a decisão enquanto investigava o que tinha acontecido. O Zico ficou isolado no canil, em observação.

A petição e a contra-petição

A ordem de abate partiu o país ao meio. Uma petição online contra a morte do cão passou as 30 mil assinaturas em poucos dias. A 13 de janeiro de 2013 ia nas 55 mil e acabou por passar as 60 mil. Apareceu também uma petição no sentido contrário, a pedir que a decisão se mantivesse.

Quem defendia o animal dizia que era preciso perceber o que tinha provocado a reação do cão e que ele podia ser reabilitado. Do outro lado, havia quem achasse inaceitável pôr a vida do cão no centro da conversa depois de uma criança ter morrido.

Percebo os dois lados. E acho que nenhum deles estava a falar do que mais doía.

De Zico a Mandela

A associação Animal, presidida por Rita Silva, meteu uma providência cautelar no Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja. No fim de julho de 2013, o tribunal entregou o cão provisoriamente à associação. Estava há sete meses fechado numa jaula de três metros quadrados no canil municipal.

A Animal mudou-lhe o nome para Mandela, e a escolha foi muito criticada. Em janeiro de 2014, segundo a revista Visão, o cão vivia num santuário da associação perto de Lisboa, depois de dois meses de treino de reabilitação comportamental.

O julgamento

Os pais e a avó da criança foram acusados de exposição ou abandono e de negligência. A 14 de julho de 2016, o tribunal de Beja absolveu os três. Reconheceu que o cão era potencialmente perigoso, mas concluiu que a família não teve conduta negligente. A avó foi também absolvida de duas contraordenações, por ter o animal sem licença e sem seguro.

Data O que aconteceu
6 jan. 2013 Ataque em Beja; o bebé morre no hospital
jan. 2013 Ordem de abate suspensa pelo Ministério Público; petição passa as 30 mil assinaturas
jul. 2013 Tribunal entrega o cão à associação Animal; passa a chamar-se Mandela
14 jul. 2016 Pais e avó absolvidos pelo tribunal de Beja

A petição original ainda se pode consultar no site Petição Pública.

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