Em resumo: a 12 de janeiro de 2007, o violinista Joshua Bell tocou cerca de 43 minutos na estação de metro L’Enfant Plaza, em Washington, com um Stradivarius de 1713. Passaram 1097 pessoas e só sete pararam para ouvir. Juntou 32,17 dólares. A experiência foi montada pelo Washington Post e valeu um Pulitzer.
A experiência
Às 7h51 de uma sexta-feira de janeiro, em plena hora de ponta, um homem de boné abriu a caixa do violino junto a uma entrada da estação L’Enfant Plaza, no centro de Washington, e começou a tocar. Era Joshua Bell. Um dos violinistas mais conhecidos do mundo, a tocar para quem ia a correr para o trabalho.
A ideia foi do jornalista Gene Weingarten, do Washington Post. Queria testar o contexto, a perceção e as prioridades de quem passa: num sítio banal e a uma hora má, alguém repara na beleza?
O que tocou e com que violino
Bell tocou seis peças. Duas eram de Bach, entre elas a célebre Chaconne, e as outras de Schubert, Massenet e Manuel Ponce. O violino era o Gibson ex-Huberman, um Stradivarius de 1713 avaliado em cerca de 3,5 milhões de dólares.
Os números
| Dado | Valor |
|---|---|
| Pessoas que passaram | 1097 |
| Pararam para ouvir | 7 |
| Deram dinheiro | 27 |
| Dinheiro recolhido | 32,17 dólares (mais 20 de quem o reconheceu) |
| Pessoas que o reconheceram | 1 |
O pormenor que mais marcou quem leu a reportagem foram as crianças. Sempre que passava uma, tentava parar para ver o músico. E sempre um adulto a puxava para a frente. Isto diz muito sobre nós. Três dias antes, Bell tinha tocado o mesmo reportório num concerto e ganho muito mais.
O Pulitzer e o regresso
A reportagem, “Pearls Before Breakfast”, saiu na revista do Washington Post em 2007 e deu a Weingarten o Prémio Pulitzer de 2008 na categoria de reportagem.
A 30 de setembro de 2014, Bell voltou ao metro de Washington, desta vez à Union Station, com aviso prévio e com jovens músicos da YoungArts Foundation. Centenas de pessoas chegaram uma hora antes, e no fim houve aplausos. Bell ainda brincou com a gorjeta de 2007.
A história andou anos a circular por email e nas redes sociais, com vários números trocados. Os dados acima são os da reportagem original do Washington Post. E tu, terias parado?