Em resumo: um vídeo divulgado pelo jornal Tomar na Rede mostra um “doutor” de Contabilidade do Instituto Politécnico de Tomar a gritar com caloiros deitados numa valeta e a atirar-lhes líquido. O Magnum Consilium Veteranorum, que manda nas praxes do IPT, suspendeu-o por tempo indeterminado.
As imagens são de 23 de outubro de 2025 e chegaram ao Tomar na Rede através de denúncias anónimas. O jornal noticiou o caso a 28 de outubro. Vê-se um grupo de cerca de dez caloiros deitados numa valeta, com a cabeça encostada às pedras e as mãos atrás das costas. Um estudante mais velho grita, insulta-os, atira-lhes líquido e manda ao chão um balde e uma garrafa, segundo o Correio da Manhã.
A certa altura, repara que está a ser filmado: “Não estás a gravar, pois não? Pára de gravar.”
O que diziam as denúncias
Quem fez chegar o vídeo ao jornal descreveu o estudante como alguém conhecido “por ser agressivo e abusivo”. Outro escreveu: “Isto anda a exceder limites”.
Houve também quem apontasse o dedo ao Magnum Consilium Veteranorum (MCV), o conselho de veteranos que supervisiona as praxes no IPT. Um dos denunciantes acusou-o de fechar os olhos porque os próprios caloiros dos veteranos estariam nas comissões.
A resposta dos veteranos
Logo a seguir, o MCV publicou um comunicado. A versão deles é mais suave: num local isolado, “foram proferidas palavras em decibéis altos e batizados os caloiros com água e unicamente água, símbolo de purificação”. Garantiu ainda que ouviu todos os envolvidos e que os caloiros querem continuar na praxe.
Mesmo assim, decidiu “suspender temporariamente o praxante em causa”, por tempo indeterminado, até avaliar a aptidão e a conduta dele. Conforme o resultado, a suspensão pode ser levantada ou passar a exclusão definitiva.
Água, decibéis altos e caloiros com a cara nas pedras. Cada um tira as suas conclusões. A minha é que isto tem pouco de tradição e muito de alguém a divertir-se à custa de quem não se pode defender.
O que aconteceu depois
O caso chegou à imprensa nacional, da RTP ao Correio da Manhã. No início de novembro de 2025, o próprio Instituto Politécnico de Tomar suspendeu o estudante e abriu-lhe um processo disciplinar. Segundo o Sol, a direção do IPT disse que soube do caso pelas redes sociais, que suspendeu o aluno no dia seguinte e que se trata de um caso isolado.
Não encontrei notícia sobre o resultado do processo disciplinar até hoje, 1 de outubro de 2026. O estudante nunca foi identificado publicamente.
E tu, achas que as praxes ainda fazem sentido ou já passou o prazo?