Em resumo: na Mixórdia de Temáticas, Ricardo Araújo Pereira fez de Xavier Cardoso, um funcionário da Regina que rebentou a máquina das tabletes por estar a jogar Candy Crush. A Regina respondeu com um comunicado a “despedir” o personagem, e o post tornou-se o mais comentado da história da marca.
Tudo começou com uma notícia verdadeira. No fim de junho de 2025, um português, o Tiago P., ganhou o Candy Crush All Stars 2025, o torneio mundial do jogo, e levou 500 mil dólares para casa. O Ricardo Araújo Pereira pegou nisto e fez o que faz há anos na Rádio Comercial: um sketch.
O sketch
Na Mixórdia de Temáticas, o RAP deu voz a Xavier Cardoso, responsável pela máquina de tabletes da fábrica de chocolates Regina. O Xavier confessa que se distraiu a jogar Candy Crush, deixou a máquina sobreaquecer e ela rebentou com os chocolates todos. Um desastre nacional, contado com aquela seriedade que só ele consegue.
A resposta da Regina
A marca podia ter ignorado. Não ignorou. Com a agência Nossa, a Regina publicou nas redes um comunicado com ar oficial, a lamentar a conduta do “colaborador” e a anunciar o despedimento do Xavier Cardoso por negligência.
Segundo o ECO e o Meios & Publicidade, foi a publicação com mais interações da história da marca, com mais de 4800 gostos e mais de 330 comentários em pouco tempo. A Rádio Comercial entrou no jogo e respondeu que “lamenta profundamente os danos causados ao património chocolatístico nacional”.
Porque é que isto resultou
Trabalho em marketing e digo-te já: isto é dos casos que se mostram em reuniões.
Primeiro, a velocidade. A Regina respondeu enquanto o sketch ainda estava a circular. Uma semana depois já ninguém se lembrava, e a piada tinha morrido.
Segundo, a marca riu-se de si própria. O RAP pôs a fábrica da Regina a explodir e a resposta não foi um advogado. Foi entrar na brincadeira, com o tom certo e sem tentar ser mais engraçada do que o humorista.
Terceiro, e para mim o mais importante, custou quase nada. Não houve campanha paga nem produção. Houve alguém atento ao que se passava e com liberdade para publicar sem dez aprovações pelo meio. A maior parte das marcas portuguesas não tem isso, e é por isso que estas respostas são raras.
Uma marca histórica de chocolates pôs meio país a falar dela com um comunicado falso. Nada mau.
E tu, achas que mais marcas deviam arriscar assim? Deixa nos comentários.
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