Em resumo: às 2h49 da madrugada de 16 de novembro de 2020 (hora de Portugal), um fragmento de asteroide entrou na atmosfera a cerca de 227 mil km/h e acendeu uma bola de fogo que se viu em grande parte da Península Ibérica. Apagou-se a cerca de 60 km de altitude, por cima do distrito de Évora.
Durante um instante, a noite parecia dia. Quem estava acordado no sul de Espanha e de Portugal naquela segunda-feira viu um clarão azul-esverdeado a cortar o céu. E as câmaras da rede espanhola que vigia meteoros apanharam tudo.
O que aconteceu ao certo
Quem o detetou foi o projeto SMART, uma rede de câmaras coordenada pelo Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC). As estações de Calar Alto (Almería), Sevilha e La Hita (Toledo) registaram a passagem às 3h49, hora espanhola.
O astrofísico José María Madiedo, responsável pelo projeto, fez as contas. Uma rocha vinda de um asteroide bateu na atmosfera a cerca de 227 mil quilómetros por hora. Com o atrito, ficou incandescente a cerca de 132 quilómetros de altitude, a oeste da Andaluzia. Seguiu para oeste e desfez-se a uns 60 quilómetros de altitude, já por cima do distrito de Évora.
O brilho foi tanto que o clarão se viu a mais de 500 quilómetros de distância, incluindo do Porto e de boa parte do centro de Espanha. Mais de 500 quilómetros. Não é pouco.
O vídeo
Estas imagens foram publicadas no próprio dia pelo canal do projeto de observação de meteoros e mostram a bola de fogo vista de Espanha:
Há perigo?
Não. Uma bola de fogo destas é um meteoro com um brilho fora do normal: um fragmento pequeno que se desfaz na alta atmosfera, dezenas de quilómetros acima das nossas cabeças. Neste caso, não há registo de nenhum pedaço a chegar ao chão.
Por causa da rede SMART, a Península Ibérica é das zonas mais vigiadas da Europa, e clarões assim são registados várias vezes por ano. Uns ficam mais falados do que outros por causa da hora e do brilho, e de quanta gente os apanha nas câmaras de segurança ou do carro. Se algum dia vires um, pega no telemóvel.