O “filme do Facebook” de Portugal: a paródia da troika de 2014

Em resumo: a 4 de fevereiro de 2014 o Facebook fez 10 anos e ofereceu a cada utilizador um vídeo de cerca de um minuto com as suas recordações, o Look Back. No dia seguinte, o canal Epá Mais ou Menos publicou a versão de Portugal: BPN, cortes e troika em vez de fotos de férias.

O que eram os vídeos Look Back

Para assinalar o décimo aniversário, o Facebook montou automaticamente um pequeno filme para cada conta, com o ano de adesão, as fotografias mais gostadas e as publicações em destaque, tudo com música de fundo. Segundo a equipa de engenharia da empresa, mais de 200 milhões de pessoas viram o seu nos primeiros dois dias e mais de metade decidiu partilhá-lo. Foi por isso que, nessa semana, o teu mural esteve cheio deles.

A versão portuguesa

O canal humorístico Epá Mais ou Menos pegou no formato, com o mesmo grafismo azul e os mesmos separadores, e aplicou-o ao país. Portugal “aderiu” em 2008, o ano em que a crise financeira rebentou. Em vez de “momentos marcantes” aparecem os piores pesadelos: a dívida do BPN, o uso do fundo da Segurança Social para pagar dívida pública, os cortes salariais e na educação. Segue-se “O que nos roubaram”, com as parcerias público-privadas e o despedimento de professores, e o filme fecha com um polegar para baixo dedicado à troika.

É um minuto de sátira política, com o tom amargo que se vivia na altura. O vídeo foi publicado a 5 de fevereiro de 2014 e continua disponível no canal original.

O contexto

Portugal pediu ajuda financeira a 6 de abril de 2011 e, um mês depois, a troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI) apresentou um programa de 78 mil milhões de euros, com cortes na despesa e aumentos de impostos. Quando este vídeo circulou, faltavam poucos meses para o fim: o programa terminou a 17 de maio de 2014, depois de o Governo anunciar uma saída sem programa cautelar. Tens a cronologia completa no Observador.

Vale como retrato de uma época. Mais de uma década depois, é curioso ver o que irritava os portugueses no início de 2014.

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